O dólar americano domina as conversas sobre câmbio no Brasil, mas ele está longe de ser a única moeda que os brasileiros precisam comprar. Quem vai para a Europa precisa de euro. Viajantes para o Reino Unido lidam com a libra esterlina. Turistas na Argentina buscam o peso. E investidores diversificados miram o franco suíço ou o iene japonês.

Cada moeda tem suas próprias características, volatilidade, disponibilidade no Brasil e dicas específicas de compra. Neste guia, você vai entender como comprar as principais moedas além do dólar no Brasil, onde encontrar os melhores preços e quais erros evitar.

A regra básica vale para todas: cotação turismo vs. cotação comercial — a diferença entre as duas representa o spread das casas de câmbio, e conhecê-la é o primeiro passo para não ser lesado.

Euro (€): A Moeda da Zona Euro

O euro é, de longe, a segunda moeda mais procurada pelos brasileiros — impulsionado pelo turismo na Europa e também por investimentos em títulos europeus.

Disponibilidade no Brasil: muito boa. Praticamente todas as casas de câmbio trabalham com euro, e os principais bancos (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco) têm estoques regulares.

Comportamento da cotação: o euro costuma ser mais estável que o dólar em relação ao real, mas segue um caminho correlacionado — quando o real se desvaloriza, o euro sobe junto.

Onde comprar: as melhores cotações costumam ser encontradas em casas de câmbio independentes nas grandes cidades (especialmente no centro de São Paulo e Rio de Janeiro) e em corretoras digitais como Remessa Online, BeeCambio e Wise.

Palpitano — Palpites em Tempo Real

Dica: se você vai para vários países da Zona Euro (França, Alemanha, Espanha, Itália, Portugal, etc.), o euro é aceito em todos eles. Não precisa ter moeda local para cada país.

Libra Esterlina (£): A Moeda Mais Cara

A libra esterlina do Reino Unido é geralmente a moeda mais cara em termos absolutos — uma libra equivale a mais de R$ 8 na maioria das cotações de 2026.

Disponibilidade no Brasil: boa, mas menor que o euro. Nem todas as casas de câmbio têm estoque físico de libras. É recomendável encomendar com antecedência.

Atenção: o Reino Unido saiu da União Europeia (Brexit), então libra e euro são moedas diferentes — libras não são aceitas no continente europeu e vice-versa. Se você vai visitar Londres e Paris, precisa de ambas.

Onde comprar: casas de câmbio nas capitais e corretoras digitais. Bancos tradicionais costumam ter spread alto em libras.

Cartão internacional: para viagens curtas ao Reino Unido, usar um cartão internacional em libras (com câmbio automático) pode ser mais prático do que carregar notas físicas.

Comparativo das Principais Moedas Estrangeiras

MoedaPaís/RegiãoCotação Aprox. (mar/2026)DisponibilidadeMelhor Opção de Compra
Euro (EUR)Zona Euro~R$ 6,20AltaCasas de câmbio / Wise
Libra (GBP)Reino Unido~R$ 8,10MédiaCasas de câmbio / Revolut
Franco Suíço (CHF)Suíça~R$ 7,30BaixaEncomendar em casas de câmbio
Iene (JPY)Japão~R$ 0,043BaixaCasas de câmbio especializadas
Dólar Canadense (CAD)Canadá~R$ 4,60MédiaCasas de câmbio / fintechs
Dólar Australiano (AUD)Austrália~R$ 4,00MédiaFintechs / cartão internacional
Peso Argentino (ARS)ArgentinaVariávelMédia-altaDólar cabo ou casas em fronteira

Cotações aproximadas, sujeitas a variação diária.

Como Comprar Moeda Estrangeira no Brasil

Existem três formas principais:

1. Casas de Câmbio Físicas

Permitem comprar moeda em espécie. As casas de câmbio independentes no centro das grandes cidades costumam ter spreads mais baixos que bancos. Requerem apresentação do CPF para operações a partir de determinados valores.

Plataformas como o BeeCambio permitem comparar cotações de várias casas de câmbio ao mesmo tempo — um serviço similar ao Kayak para passagens, mas para câmbio.

2. Fintechs e Corretoras Digitais

Wise (antiga TransferWise), Remessa Online e Nomad oferecem câmbio com taxas próximas do câmbio comercial, especialmente para transferências internacionais e cartões pré-pagos em moeda estrangeira.

O cartão Wise é particularmente útil — você carrega em reais e converte no momento do uso no exterior, com taxa de câmbio muito competitiva e sem IOF em muitas situações.

3. Bancos Tradicionais

Geralmente têm o spread mais alto. Use apenas como última opção ou para moedas muito exóticas que só eles têm.

Para entender melhor como funciona o IOF sobre câmbio nas diferentes modalidades de compra, leia nosso artigo sobre IOF sobre câmbio — como funciona.

Moedas Exóticas: Iene, Franco Suíço e Outras

Para destinos menos comuns, as opções se estreitam mas não desaparecem:

Iene japonês (JPY): o Japão exige muito cuidado com câmbio — o país ainda usa muito dinheiro físico. Compre ienes antes de viajar, pois os caixas eletrônicos japoneses para cartões estrangeiros são limitados (7-Eleven e Japão Post aceitam cartões internacionais).

Franco suíço (CHF): a Suíça é um destino premium e a moeda reflete isso. Disponível em casas de câmbio especializadas nas capitais. Para valores pequenos, o euro também é aceito em muitos estabelecimentos suíços — mas o troco virá em francos.

Peso argentino (ARS): caso especial pela instabilidade econômica da Argentina. O câmbio "dólar blue" (informal) pode ser significativamente mais vantajoso que o câmbio oficial — mas envolve riscos e aspectos legais complexos. Muitos brasileiros compram dólares antes de viajar para a Argentina e trocam por pesos no destino.

Estratégias Para Economizar no Câmbio

Independentemente da moeda, algumas regras são universais para economizar:

Compare antes de comprar: nunca compre no aeroporto, onde os spreads são os mais altos. Pesquise em casas de câmbio digitais como BeeCambio.

Evite trocar reais no exterior: a cotação para reais fora do Brasil é geralmente péssima. Leve moeda local ou use cartão.

Use cartões com câmbio na fatura: cartões como Wise, Nomad e alguns da Nubank têm câmbio próximo ao comercial, sem spread abusivo.

Compre com antecedência: moedas mais raras podem precisar ser encomendadas. Casa de câmbio com entrega em 24h ou 48h permite planejar sem pressa.

Diversifique: para viagens longas, não leve tudo em espécie. Combine um valor em dinheiro físico com cartão internacional como backup.

Se quiser entender mais sobre como comprar dólar barato, as mesmas estratégias se aplicam a outras moedas — pesquisa e timing são fundamentais.

Conclusão

Comprar euro, libra ou outras moedas estrangeiras no Brasil é simples, mas requer pesquisa para não pagar mais do que o necessário. Casas de câmbio independentes e fintechs como Wise costumam oferecer as melhores condições; bancos tradicionais e aeroportos ficam com os piores spreads.

Para moedas exóticas como iene ou franco suíço, planejamento com antecedência é essencial — encomende com pelo menos uma semana de antecedência nas casas de câmbio das capitais. E para a Argentina, o cenário é único e merece pesquisa específica antes de cada viagem.

Perguntas Frequentes

Posso usar cartão de crédito no exterior em qualquer moeda?

Sim. Cartões de débito e crédito internacionais das bandeiras Visa e Mastercard funcionam em praticamente todos os países. O câmbio é convertido automaticamente para reais pela bandeira, geralmente com spread de 2% a 4% sobre a cotação comercial, mais IOF de 4,38%.

Qual o limite de moeda estrangeira que posso trazer do Brasil?

Para viagens internacionais, não existe limite de valor para moeda estrangeira levada em espécie para uso pessoal. Porém, ao retornar ao Brasil com mais de USD 10.000 (ou equivalente em outra moeda), você deve declarar à Receita Federal.

Euro e dólar, qual é melhor levar para uma viagem à Europa?

Euro. Embora o dólar seja aceito em alguns lugares, a moeda oficial da Zona Euro é o euro, e você pagará taxas de conversão ao usar dólares. Compre euros antes de viajar.

Existe IOF na compra de moeda estrangeira em espécie?

Sim. A compra de moeda estrangeira em espécie (papel moeda) tem IOF de 1,1% sobre o valor da operação. Cartões de crédito usados no exterior têm IOF de 4,38%. Transferências internacionais via fintechs como Wise têm IOF de 0,38%.

Posso parcelar a compra de moeda estrangeira no cartão de crédito?

Algumas casas de câmbio permitem parcelamento no cartão, mas fique atento: você paga a cotação do dia da compra mais os juros do parcelamento — a moeda pode se valorizar ou desvalorizar até que as parcelas terminem.